As lojas online e as relações complicadas



Quando temos uma loja online, ou no meu caso duas, e nos chegam pedidos para colocarmos as nossas ricas coisas à venda em lojas ou uns quantos convites para entrevistas e artigos em revistas, a primeira reacção é pura felicidade. Ficamos contentes porque há alguém que gosta do nosso trabalho ao ponto de o querer na sua loja ali na rua, ficamos contentes porque as coisas que fazemos com tanta dedicação vão sair numa revista e milhares de pessoas vão saber que existimos. Mas a verdade é que nem sempre tudo corre bem, e aprender a lidar com as falhas que muitas vezes acontecem é na maior parte das vezes difícil, mas é uma coisa com a qual se aprende a lidar. Mais do que aprender com as falhas o melhor é aprendermos a criar mecanismos que as evitem e que nos poupem tempo e trabalho. Entre beija-flor e maçã de adão, eu a Diana e a Su, já passámos por muita coisa que gostaríamos de poder ter evitado. No entanto gosto de pensar que tudo o que correu mal só pode servir para aprendermos a fazer ainda melhor. Neste post vou escrever sobre algumas das coisas que nos têm acontecido. Não vou mencionar nomes porque não é esse o meu objectivo, a ideia é poder passar a experiência para aqueles que têm ou querem vir a ter uma loja online. Os mais invejosos podem também ficar a saber que a minha vida não é assim tão fixe e podem virar-se para outro lado.  

A revista x quer fazer um artigo sobre nós e só nos pede para entregarmos as peças ali na redacção
Sem problema. Nós que andamos sempre na rua a comprar materiais para esta ou aquela encomenda temos disponibilidade para passar ali na rua e deixar umas quantas peças para serem fotografadas. Não vale a pena vir o fotógrafo lá a casa, ou a jornalista, levantar meia dúzia de coisas. Não nos custa nada, nós passamos lá e deixamos as coisinhas... mais ainda, passamos para levantar também, afinal não custa mesmo nada. Não façam isto, nem que a redacção fique na porta ao lado. Se calhar já estão desse lado a pensar que a nossa simpatia passou os limites, mas nós na altura pensámos que era uma coisa natural. Depois de tanta trabalheira a ir levar e levantar, e no entrentanto que ficamos sem as peças para vender e entregar a clientes, o artigo não saiu na revista. Para além do artigo não ter saído, a jornalista nem teve a preocupação de nos dizer que as nossas coisas não iam parar às páginas da revista. Depois deste episódio a nossa disponibilidade para este tipo de coisas passou a vir em doses mais moderadas e quem precisar de alguma coisa da nossa parte terá de vir ter connosco, ao nosso atelier. É que se nós ganhamos com um artigo, a revista também ganha connosco. Sem conteúdos é que ela não sai. E se não é um favor que nos fazem o ideal é cada uma das partes fazer o seu trabalho e não haver aqui moças de recados.

A loja y quer ter as nossas peças à venda na loja, mas à consignação 
Pois é, isto é tudo muito lindo mas assim quem perde tempo a fazer as peças, quem investe material nas peças e quem empata as peças na loja somos nós. Claro que a loja paga a renda e alguém tem de estar ao balcão, mas não é isso que é suposto acontecer e não foi isso que aconteceu desde sempre? Quem abre uma loja não terá de comprar produtos para a loja? Quando não se vendem há que os despachar mais tarde com descontos e afins. E por isso mesmo, por haver um investimento grande por parte do lojista, é que se fazem preços de revenda. Mas não se espantem se vos chegarem pedidos à consignação, e vos perguntarem ao mesmo tempo pelo preço de revenda. Não se espantem também se tiverem de pagar pelo envio das peças para a loja, ou se vos estragarem coisas e não as quiserem pagar. Solução, apresentem sempre duas propostas, ou revenda ou consignação, e tenham sempre regras diferentes para as duas. Pensem em formas de não se prejudicarem e de ganharem sempre qualquer coisa, afinal o trabalho é vosso. Apesar de tudo o que disse temos algumas lojas com peças nossas, mas só porque funcionam bem. Seja pelo bom carácter da pessoa em questão, pela proximidade que tem connosco mesmo a nível geográfico (não temos custos com envios e podemos sempre levantar as peças quando necessário, etc...) São poucas, mas existem! :)

 Lojas que fecham e não pagam
A loja era espectacular, ficava numa das ruas mais concorridas do Porto, o conceito era diferente a equipa super empenhada e boa onda... pois, era isto tudo e nós andamos para trás e para a frente com peças, com material para comunicar a marca na loja (nem isso eles podiam fazer porque quem é espectacular tem pouco tempo) e no fim para além de nos terem estragado 2 peças não nos pagaram as outras que venderam. Fecharam portas e pronto, assunto resolvido. Conclusão... para além de todo o trabalho que não nos competia ter ainda perdemos dinheiro e vamos ter de resolver isto perdendo ainda mais tempo e com algumas dores de cabeça. O ideal é assinarem um contrato, ou terem tudo comprovado por e-mail. Caso contrário não terão provas de nada e será muito difícil resolverem a questão. Os contratos ainda são uma coisa que assusta um bocadinho, e que não costumamos usar com frequência e isto tem mesmo de mudar. Quem não tiver intenções de vos passar a perna ou de vos ficar a dever o que quer que seja não se vai importar em assinar um contrato. Se não o querem fazer desconfiem logo e nem percam mais tempo com o assunto.

E pronto, isto é uma pequena parte das coisas más que nos vão acontecendo. Nem todos os dias acontecem coisas boas. Se tiverem coisas para partilhar agradeço :)

4 comentários:

  1. Adorei este post e as dicas.
    Tens toda a razão, o serviço deve ser " a meias" e, na verdade, cada vez menos sabemos com quem lidamos.
    Um "sinal" que seja pago ao deixar peças á consignação também pode ajudar e claro as guias de remessa que indicam que na data X o artigo Y foi colocado na loja tal, também podem ser uma alternativa aos contratos.
    O que é certo é que as vossas peças são lindas, um mimo e um regalo para os meus olhinhos e desejo-vos a melhor sorte do mundo.
    (ainda não conhecia este cantinho, só o We Blog You e Maça de Adão mas já fiquei a gostar)

    Senra

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  2. Obrigada pelas palavras simpáticas :)
    beijinhos!

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  3. Adoro ser Designer, faz-me sentir tão livre como nunca pensei que uma profissão pudesse ser, como nuca pensei que profissão e paixão pudessem andar juntas, mas infelizmente ser designer neste país é mesmo "triste" não pelo nosso trabalho não por nós mas pelos outros, por todos os "maus tratos" que recebemos, por toda a incredulidade na nossa seriedade e respeito pelo que fazemos e por coisas como estas faltas de respeito que li neste blog, há pessoas mesmo indecentes! mas ha pessoas fantásticas e que lutam como "tu" (acho que posso tatar-te por tu?). estou nessa luta, estou quase a dar o passo e acho que é este ano que isso ira acontecer, tal como tu estou num sitio seguro e de conformo ao qual me estou a habituar, e na minha idade( tenho 26 ainda frescos ) não posso ficar estagnada num lugar quente e confortável, sinto-me a morrer como uma plantinha abafada pelo calor confortável, como um sapo numa panela que de tão confortável que la está não se dá ao trabalho de saltar antes que seja tarde de mais! o teu post sobre a mudança de vida inspirou-me e deu-me ainda mais vontade de fazer o que tenho e e quero fazer, obrigada pela partilha tão sincera e pessoal,

    Eliana*

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  4. Obrigada eu por passares por cá e por me deixares estas palavras tão boas!
    Espero sinceramente que este seja um bom ano de mudança para ti. Sermos felizes com o que fazemos é mesmo importante. Além disso, falarmos e partilharmos estas coisas também é positivo e ainda se faz pouco por cá. Espero ouvir notícias tuas num futuro próximo :)

    Muitos beijinhos e montes de sorte!

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