presentes bonitos

  Bonito porque me foi oferecido por um cliente muito querido e que apesar da distância e do pouco que me conhece, conseguiu escolher um presente que adorei!
Recebi este diário, vindo do Brasil e cheio de surpresas bonitas no interior, e vai ser à conta dele que vou recomeçar a escrever para mim como fazia quando era catraia :p

O diário está dividido por partes que o vão tornar ainda mais divertido de preencher, e assim arranjo mais uma coisa para fazer quando não estiver a trabalhar nos blogues dos outros e em coisas sérias.
Eu e o Fred dizemos sempre que um blog é bom para aprendermos a contar histórias, e saber contar histórias é bom para comunicarmos melhor com aqueles que nos rodeiam. Quem não se sente à vontade para escrever para pessoas e quem não gosta de o fazer, pode e deve optar por um diário pessoal.  

Deixo-vos aqui algumas fotografias para perceberem como é bonito o meu diário que veio do outro lado do oceano :)




Obrigada, Renan!


desta vez, o que eu perdi





Falo muitas vezes das coisas boas que tenho por trabalhar em casa e muitos de vocês devem achar que o que ganhei foi só mesmo isso, coisas boas. Outros acharão que sou uma gabarolas e que isto nem deve estar a correr assim tão bem.
Como de facto nem tudo são coisas boas, e como geralmente só se falam dessas, resolvi escrever sobre aquilo que perdi para ganhar aquilo que hoje tenho.

Depois de ter deixado o emprego que tinha em 2011, e de o ter decidido fazer por achar que se a coragem não estivesse comigo naquela altura nunca mais estaria, tinha algum dinheiro de parte que me permitiu continuar a viver no Porto até encontrar outro emprego.
Lembro-me da minha mãe me ensinar que se tens 10 no bolso gastas 5, e a verdade é que comecei a fazer mais ou menos isto quando comecei a trabalhar e foi uma ajuda.  Nos primeiros meses, depois de largado o emprego, vivi à conta das poupanças que tinha feito, pagava renda e contas e o resto era tudo muito controlado, e posso dizer que foi assim desde o final de 2011 até ao final de 2012.
Comecei com o Beija-flor, que em termos financeiros era um part time, depois a Maçã de Adão que já foi mais uma ajuda, e de vez em quando um trabalho ou outro de design. Mais tarde ainda surgiu o We Blog You. Mas se havia meses bons, havia outros que não eram assim tanto e tive de recorrer ao meu "pé de meia" muitas vezes. Ganhar um ordenado mínimo era uma alegria, por isso já podem ver mais ou menos como era o estado dos meus rendimentos nos restantes meses. Mas, apesar de tudo isto, percebi que valia a pena o esforço, que enquanto esta situação continuasse a melhorar, ainda que fosse pouco, era motivo para investir mais. Passei alguns meses estagnada, mas acreditava que era isto que queria fazer e que o tempo que estava a investir era isso mesmo, um investimento. Ganhava, gastava o necessário e se havia a mais metia de lado.

Como tenho muito medo de perder o controlo das coisas, ficar sem nada e ter de voltar para a casa da mãe (essa coisa segura pelo menos tenho), tive sempre a preocupação de ir mantendo o dinheiro que tinha de lado lá mesmo, de lado. Quando ganhava mais, em vez de ir passar umas férias que também merecia, voltava a meter o dinheiro quietinho para o caso de surgir alguma emergência ou falta de sorte. Li uma vez num artigo que quem trabalha por conta própria deve ter de lado 6 vezes o valor que precisa para viver num mês, e a verdade é que ter pelo menos essa margem deixa-me mais calma e menos assustada com isto da instabilidade (se as senhoras disseram é porque é verdade!). Muitas vezes até fazemos muito trabalho mas que  é pago meses depois de o termos começado e, se não há nada de lado não temos como pagar as contas que chegam certinhas todos os meses.

Deixei de ter dinheiro para férias, festivais de verão, compras, saídas despreocupadas. Não tenho carro nem tenciono ter tão cedo, tenho um mac com 7 anos e a arrastar-se um bocado e tenho uma coisa que tira fotografias com mais anos do que o mac e que não vale muito.
Adoro promoções, quando a comida do gato está barata compro imensa de cada vez, isso e garrafas de azeite. Desde janeiro prometi a mim mesma que não ia comprar roupa até ao fim deste ano, para não desperdiçar. Como trabalho montes de tempo em casa acredito que a roupa que ali tenho é mais do que suficiente e em vez de perder tempo a passear em lojas tenho feito outras coisas que no final de contas me deixam mais feliz.

Afinal isto não é assim tão giro, pois não? :p

Para não acabarmos isto de forma deprimente posso dizer-vos que 2013 está a ser simpático comigo, há mais trabalho e as coisas melhoraram muito relativamente ao ano passado. Se antes só podia gastar dinheiro em coisas essenciais como água, luz, alimentação e renda, hoje posso comprar cortinas e almofadas novas cá para casa (vejam lá o luxo), este ano provavelmente poderei tirar férias e comprar mais umas quantas coisas que me dão jeito e que quero muito, como uma câmera para tirar fotografias decentes :)


os amigos, as coisas bonitas e o orgulho



























Oh Honey no Breyner85, fotografia da Su e edição do Fred.

Depois de ter começado a trabalhar aos fins-de-semana, aqueles em que o trabalho não me obrigam a ficar em casa são para aproveitar ao máximo. Aquilo que mais gosto de fazer é ir ali ao parque ou ao palácio, deitar-me na relva e não fazer nada a não ser fugir dos pavões quando estes macacos se atrevem a vir para muito perto de mim.
No fim-de-semana passado já houve um aniversário para nos arrastar uma tarde inteirinha para o parque da cidade, e depois de chegar a casa às 21h cheia de sono e de preguiça houve uma coisa que me arrastou do sofá para a rua mais uma vez, o Fred e mais uma coisa bonita que anda a fazer quando não faz fotografia, vídeos ou design.

Fomos ali ao Breyner 85 ver e ouvir os Oh Honey, pela primeira vez, e em modo intimista. Que o Fred canta bem já eu sabia mas isto é mais do que cantar ali uma músicas no youtube :p
A certa altura parecia uma irmã mais velha babada e emocionada por estar a gostar tanto de o ver em cima do palco a cantar coisas bonitas que dão vontade de pôr os pézinhos a mexer e cantar com eles (um dia quando eu souber as letras de cor...)
A maior das surpresas foi ver a Raquel ali ao lado a fazer parte do mesmo projecto. Canta bem que se farta e só de a ver abanar as ancas dá voltade de abanar as nossas também.

Estou feliz por estarem a fazer tudo isto, e estou feliz por ter amigos que me vão fazer companhia cá em casa! A banda está de parabéns e, por isso, despachem-se lá para podermos ter música disponível aqui deste lado.



E se toda a gente trabalhasse em casa?


... era a pergunta num artigo de um jornal. Falava-se do comodismo daqueles que trabalham em casa, da falta de vontade de trabalhar e acima de tudo na solidão. Dizia-se que trabalhar em casa nos mantém muito à parte do resto da comunidade, e que é uma sorte sermos poucos, caso contrário a forma de nos ligarmos uns aos outros iria ser muito diferente e poderia mudar toda uma sociedade.
Para provar isto falavam dos espaços que começaram a surgir, de coworking, onde várias pessoas que trabalham por conta própria se juntam para não terem de se suportar só a elas mesmas em casa.

Adoro a ideia de termos um espaço com montes de criativos, acho que aprendemos mais acompanhados do que sozinhos e defendo com unhas e dentes o trabalho em equipa, no entanto isso nem sempre se consegue só com um espaço de trabalho partilhado. Acho-o importante para quem não consegue ter muito espaço em casa, e para quem precisa de sair de casa para se concentrar no trabalho, mas não o acho  necessário para conhecermos pessoas novas e estarmos com elas com frequência.

Trabalho em casa há quase dois anos e nunca tive dias tão diferentes nem trabalhei com tanta gente como agora. Se era verdade que antes, na empresa onde estava, via sempre 4 pessoas logo a partir das 9 da manhã, a verdade é que os dias ficavam só mesmo por aí, eram essas 4 pessoas e eu. Agora tenho 3 sócios mas não temos de levar uns com os outros 8 horas por dia seguidas. E para além destas pessoas ainda saio para cafés e lanches de trabalho com amigos, mesmo que o trabalho que tenhamos para fazer não seja o mesmo, dividimos mesa. Vejo muito mais gente do que via antes, e posso aproveitar esse tempo ao máximo, coisa que antes só me era permitida ao fim do dia e quando eu já queria tudo menos trabalhar.
Raros são os dias em que não saio de casa, há sempre qualquer coisa para fazer na rua, seja compras de material ou impressões, e depois lá se fica mais uma hora ou duas para aproveitar o sol e tomar um café. Esta falta de rotina só me tem feito bem, e o facto de poder levantar-me e adiantar trabalho sem ter de sair de casa é óptimo.

Uma das coisas que me ajudam é ter espaço de lazer e de trabalho separado, e quanto a isso tive a maior sorte do mundo por poder ter isso tudo em casa. Sala, quarto e escritório. Assim sei que quando aqui estou sentada na minha mesa é para trabalhar e despachar tarefas, e mantenho-me mais focada. Em dias mais relaxados trabalho na sala, onde o sol bate com mais força mas onde a preguiça e o conforto me fazem ficar mais lenta e menos produtiva. Mas posso escolher! E como já não sou uma criança não preciso do chefe atrás das costas a dizer que tenho de fazer isto ou aquilo, eu sei o que preciso fazer. Quando não tenho trabalho também posso ir fazer outra coisa qualquer e não preciso esperar que batam as 18h para me levantar da cadeira.

Se calhar o que existe é uma ideia da casa portuguesa que pode já não corresponder muito bem ao que se vai passando hoje. A casa com a televisão ligada todo o dia, e com um rabo alapado no sofá a ver os programas da manhã e da tarde. Cá em casa nem televisão tenho. Tenho o aparelho para ligar a um leitor de DVD mas não o tenho ligado a nenhuma antena. Na minha casa tenho o sofá para ler, ver um filme ou descansar. Quando não estou a fazer umas destas coisas trabalho, arrumo ou aproveito simplesmente o tempo e ando ali na varanda a dar mimos ao gato. 

Nem todos somos iguais e muitos de nós precisam de um empurrão para fazer coisas. O que queria mesmo explicar é que o facto de trabalhar em casa só me trouxe mais amigos e mais tempo para estar com eles, e que se as pessoas tiverem vontade de estar com as outras isso vai acontecer sempre.

*A fotografia de cima era do meu antigo trabalho, a vista para o rio era agradável e o monitor era bem mais fixe do que o meu mas, ainda assim, não era melhor do que a vida que tenho agora :)


o dia de todas as mães, e da minha também



O meu dia foi passado em trabalho e o dela em viagem. Ainda assim foi impossível não me lembrar do dia da mãe e ainda ontem falámos disso cá em casa, eu e as pessoas queridas do último We Blog You. Falávamos de mães, das diferenças que temos, mas acima de tudo do amor incondicional que nos têm e da maior parte das vezes que não mostramos que também o temos.
Hoje, e sabendo que ela gosta de mimos e que não os teve, vou deixar aqui coisas que me ensinou, ainda que não sejam todas. Espero poder aprender mais até ela ser velhota e estar xexé.


· A minha mãe ensinou-me a andar de bicicleta.

· A minha mãe ensinou-me a coser, a bordar e até a fazer tapetes de arraiolos.

· A minha mãe ensinou-me a não ter medo de nada nem do que por aí vem. Ensinou-me a ser corajosa e a andar para a frente mesmo quando tudo parece querer que andemos para trás.

· A minha mãe ensinou-me que quando me batem eu devo devolver a porrada, a dobrar :p

· Aprendi com ela que roer as unhas é feio.

· A minha mãe ensinou-me que o mimo é das melhores coisas da vida (e eu devia dar-lhe mais e não deixar tudo para o namorado e o gato).

· A minha mãe ensinou-me a correr atrás das coisas e sempre me disse que não há sonhos impossíveis, há simplesmente trabalho que não pode deixar de ser feito e, se o fizermos, as coisas acontecem.

· A minha mãe ensinou-me a cozinhar, e ensinou-me tão bem que eu hoje faço arroz melhor do que ela.

· A minha mãe mostrou-me que por mim faz tudo quando me deu o meu gato preto, mesmo quando a última coisa que queria era ter coisas de quatro patas em casa.

*A minha mãe é a melhor que eu poderia ter tido, sempre fez tudo por mim, é a minha melhor motorista, a minha fornecedora de electrodomésticos, e diz que vai ser sempre minha amiga mesmo que um dia todos os outros deixem de o ser.
Tinha aqui mais umas coisas, mas podem ficar para o ano que vem.

beijinhos mã