gato preto é sorte ♡







































Quando nos acontece qualquer coisa má temos sempre a tendência de pensar que só a nós nos acontecem coisas horríveis, que não temos mesmo sorte nenhuma, que a vida é uma merda e por aí fora.

Tenho tido sorte em muita coisa, apesar de coisas menos boas acontecerem também, mas houve uma que me fez começar a pensar neste tipo de coisas.
O meu gato, o meu preto do coração, ficou doente. Hoje ainda não sabemos o que tem mas há uma de duas hipóteses, ou tem um tumor no cérebro ou epilepsia adquirida apesar de já ter quase 9 anos.
Este rapaz é preto, e há muita gente que não quer gatos pretos por "trazerem má sorte". Já teve problemas nos rins duas vezes, a despesa não foi pouca, e é sensível como o raio ao ponto de ficar deprimido se passa um dia inteiro sozinho.

Hoje de manhã, em vez de pensar que me aconteceu um azar muito grande, virei a coisa ao contrário e pensei que foi uma sorte este preto vir parar às minhas mãos.
São muitos os animais abandonados quando os donos descobrem que têm estas doenças, que para além de serem difíceis de lidar ainda implicam muitos gastos extra. Eu, que fico chorona quando leio casos de animais abandonados, e que por minha vontade trazia tudo para casa, tenho a sorte de poder tratar de um que iria ter o mesmo fim, nada feliz.

O meu preto vai ter de tomar medicação todos os dias, não vai poder ser deixado sozinho mais que 12 horas e vai ser muitas vezes uma preocupação e um aperto cá dentro sempre que tiver uma convulsão. Temos de assistir sem nada podermos fazer e ficar à espera que páre para lhe darmos os mimos do costume, que ele tão bem sabe agradecer. Mas na verdade este compromisso sempre existiu, ele nunca foi um acessório, nunca lhe dei mais atenção apenas quando me dava jeito e por isso não vai mudar muita coisa a partir de agora.

Vou arrebitar, sentir-me feliz por saber que melhores cuidados e mimos ele não poderia ter, e tentar habituar-me a tudo isto que é novo e custa um bocadinho grande. Também é preciso andar feliz e contente para trabalhar muito e conseguir  pagar exames e medicação. Como estou habituada a abdicar de umas coisas para ter outras o exercício não há-de ser difícil. Olhar para o que é pesado de uma forma leve, e encarar os azares como a maior sorte da vida, é o exercício desta semana e dos próximos meses. 

Desistir (não) é uma coisa feia


Custa, pensamos e repensamos em formas de não desistir de nada e continuar o caminho, com tudo aquilo que escolhemos para fazer parte das nossas vidas, e vamos fazendo as coisas todas, por vezes menos bem e de forma mais apressada, mas sem nunca desistir. Somos educados a pensar que desistir não é uma coisa boa e que por isso deve ser sempre a nossa última hipótese depois de terem vindo todos os esforços para travar tal desgraça.
Agora vi-me a desistir de mais uma coisa, que foi importante para mim, e daí veio toda esta reflexão acerca do assunto.

Já desisti de muita coisa. Desisti da natação, do ginásio, do basket, do yoga, desisti do primeiro agrupamento que escolhi na escola, desisti do meu blog, desisti das aulas de materiais na universidade, desisti de algumas amizades, desisti de viver em barcelona e desisti do meu primeiro emprego como designer, só para enumerar algumas.
A verdade é que sempre me perseguiu esta coisa de que desisto facilmente das coisas apesar de não ser regra. Deveria ter desistido do meu primeiro namorado lá muito para trás e não o fiz, mas isto é só azar ou burrice para alguém que tem tanta facilidade em desistir.

Por causa desta minha habilidade para a desistência os nomes que dou às coisas tendem a mostrar a minha vontade para que durem por muito tempo!
“Maisde365@gmail.com” é o nome que dei ao meu e-mail, isto porque o criei quando fiz o meu primeiro portfolio e queria por tudo que o design fosse uma coisa que eu fizesse mais do que durante 365 dias, que era a duração que tinham todas as outras coisas antes de terminarem.“Prometo que não te mato outra vez”, o nome deste blog, dado depois de o ter assassinado em mais um dos meus ataques de desistência.

Vão fazer quase 2 anos que estou por minha conta  e risco, e foram algumas as coisas que fui fazendo para ocupar o meu tempo e pagar as minhas contas. O Beija-flor nasceu, a Maçã de Adão também, e o We Blog You foi o terceiro dos 3 filhos. Enquanto geria tudo isto ainda fazia outros trabalhos de design.
Para mim é mesmo muito importante fazer as coisas com calma, com pressas só em dia de entregas, e com tempo de sobra para perder no processo de trabalho, em pesquisas e comigo! Gosto de ter tempo para mim, de poder dormir bem, de poder passear e de poder fazer outras coisas como tratar das plantas, ler e dar mimos ao gato. Com tanta coisa em mãos, claro que iria chegar o dia em que ou tudo terminava e corria mal, ou um deles exigia mais de mim ao ponto de eu ter de abdicar de outros, e esse dia chegou.

Como às nossas raízes não podemos fugir e como parece que o design vai durar mais do que apenas 365 dias por ano, tive de tomar a difícil decisão de abandonar um projecto que me fez muito bem e que me deu oportunidade de fazer coisas giras que nunca pensei poder fazer, a Maçã de Adão. Arrastar quase 4000 pessoas para uma página, onde tudo o que lá havia eram coisas feitas à mão por mim e pela Diana, foi um orgulho e deixou-me muito mas muito feliz.

Felizmente, o design gráfico vai ocupando cada vez mais espaço na minha agenda e, como isso envolve muita dedicação, muito trabalho e cada vez mais estudo e tempo para ele, foi preciso deixar de lado um projecto e deixá-lo viver ainda que sem a minha participação.
Vou encarar esta desistência como uma prova do meu profissionalismo (para não desatar a chamar-me de estúpida para cima), e como um acto de coragem. Toda a gente sabe que abdicar de alguma coisa é difícil, adivinhar o sucesso dessa mesma coisa sem a nossa presença não é fácil, e por isso mesmo é preciso pensar muito e acima de tudo sermos honestos connosco. A Maçã de Adão vai continuar pelas mãozinhas da Diana que é aquela que vive e respira estas coisas. Eu era de facto uma óptima costureira, de vez em quando também tinha umas idéias decentes, mas o meu peixe é outro e a minha vontade de lhe dedicar mais tempo e de ser cada vez melhor é muita.

O lado bom foi ter tido a certeza absoluta, depois de 5 anos da licenciatura terminada e de algumas dúvidas, de que não me vejo a fazer outra coisa na vida e que sou designer de coração. Quero aprender cada vez mais, quero trabalhar mais com papeis, letras e desenhos, e quero dedicar-me a 100%  aos trabalhos que me vão passando por confiarem em mim.
 Dito isto, que venham trabalhos diferentes e bons porque eu aborreço-me com facilidade apesar de andar nisto há uns anitos.

Que a Maçã de Adão tenha muito sucesso e que os dois sócios que deixei sejam muito felizes com ela.