querido 2013




Querido 2013,
quero ver-te pelas costas mas não quero correr o risco de parecer uma ingrata. Foste um gajo porreiro em muita coisa, claro que não foste em tudo mas ninguém é perfeito, seria uma parvoíce esperar isso de ti.
Quero mesmo ver-te pelas costas mas, antes de ires embora, quero agradecer-te por todas as coisas boas que me trouxeste. Tiraste-me algumas dores de cabeça e preocupações que faziam parte dos meus dias nos anos anteriores, trouxeste-me muitas pessoas boas que adorei conhecer e que fazem com que eu me sinta em casa, na "minha" cidade sempre que saio à rua e que me dão vontade de ficar por cá muito tempo. Deste-me a oportunidade de trabalhar naquilo que mais gosto de fazer e com alguém que não poderia ter sido melhor escolhido mesmo que o tivesse feito a dedo.

Estou grata, muito grata por tudo o que consegui neste ano que passou. Fora do trabalho nem tudo correu bem, perdi muitas pessoas num só ano, nem sempre fui boa amiga e não estive sempre aqui acordada para os outros como deveria ter estado. Há erros que não nos deixam voltar atrás e talvez por isso tenhas de ir embora para deixar que outro recomeço aconteça. Os recomeços ajudam um bocadinho e esta coisa de estrear um calendário novo faz parecer que tudo o resto ficou mais longe e por isso é mais suportável.

A 2014 vou pedir que me deixe ficar com o que conquistei este ano, que o faça crescer ainda mais e que me deixe resolver todas as outras coisas que me fugiram das mãos, de uma forma ou de outra.
Um obrigada muito muito especial ao sócio (ali de cima) que me arrastou para onde estou agora, que me fez fazer algumas coisas que não estaria a fazer agora se não fosse com ele, que acredita em mim mesmo quando eu só consigo duvidar.

Já mandei recados a 2013 e a 2014, agora deixo-vos um a vocês, divirtam-se muito hoje, fiquem de ressaca amanhã e continuem com a festa depois :p
Bom ano para todos!

adeus natal.



Passou mais um natal.
Por estes lados é um tema delicado porque eu tanto gosto como não gosto nada dele. Gosto de festas e gosto de juntar amigos, gosto de celebrar todo o tipo de ocasiões. Venha o aniversário, a passagem de ano, o S.João que eu estou aqui pronta para eles, mas nessas alturas podemos planear à vontade, escolher com quem vamos passar esses dias e se não for espectacular não é nenhum drama.

No natal a coisa muda de figura para quem, como eu, gostava de ter à mesa uma família grande e cheia de boa disposição. A verdade é que sempre fomos poucos e cada vez somos menos. O natal sempre foi passado com quem já estava por perto durante todo o ano, e se houve natal em que senti que aquilo era mais do que comer e receber presentes foi aquele em que vim de Barcelona depois de uns meses longe.
Sei que há muita gente que passa desta forma, com poucas pessoas, e gosta, eu sou mais esquisita e não consigo achar piada nenhuma. O que me valeu foram os dois dias de descanso no sofá. O natal também pode significar uma pausa no trabalho, uns dias extra de férias, e isso só pode ser uma coisa boa.

Este natal foi o primeiro em casa da minha mãe, a casa que é para mim a mais confortável, a seguir à minha, e isso já foi uma coisa boa. Foi passado entre três mulheres e um gato e pelos vistos vai continuar a ser assim. O remédio é comemorar a época durante o mês de dezembro com jantares e lanches entre amigos, e com trabalho bonito que nesta altura também fica todo com cheirinho a natal.
Um dia há-de ser diferente. Pode ser que venha a ter uma família maior à mesa, mais risos e parvoíces. Se assim não for desconfio que serei a senhora dos gatos e passarei a noite a ver o circo na televisão e a beber vinho com seis gatos aos pés.

Agora vem aí a passagem de ano, que eu adoro mesmo que a festa acabe por ser fraquinha. Mudar de ano é poder mudar muita coisa, poder começar de novo, comer passas horríveis, poder fazer planos e esquecer coisas más.
Adeus natal, até para o ano!


parar.

depois de semanas sem tempo, e de um dia de m**** fica aqui o texto que hoje me fez parar.
preciso parar mais vezes.

"você diz: tenho dormido muito mal. a pessoa responde: ah, eu não, eu deito e durmo na hora. você diz: vou para paris. a pessoa diz: ah, nunca fui para lá. ouvir é principalmente uma atividade de troca de foco. projetar o foco na direção do outro e permitir que ele seja iluminado pelo nossa escuta. nosso ouvido deve ser como uma lâmpada, mas temos sido como eco para narciso, repetindo de forma solitária e deturpada falas que permanecem soltas num espaço sem luz."

Foco, por Noemi Jaffe