o lado menos bom das coisas bonitas













Decidir escrever ou não este post levou algum tempo. Posso até dizer que durante muito tempo a decisão foi não escrever absolutamente nada, por vários motivos, mas depois há um dia em que acordamos com vontade de dizer mais coisas ao mundo, de não fingir que está tudo bem, e esse dia foi hoje. É por isso que hoje, meses depois de ter decidido lidar com a situação de uma forma, decido fazer as coisas de forma diferente e contar a quem segue o meu trabalho, as coisas feias que ele às vezes pode ser.

Já toda a gente sabe que o mundo é um penico, mais ainda com a internet, quem trabalha neste meio e quem publica trabalho por aqui vai ser copiado mais tarde ou mais cedo, ou melhor, vai servir de "inspiração" a alguém. Acho que é aqui que está todo o problema, na noção de inspiração que as pessoas têm, mas podemos ir mais longe e falar da noção de honestidade, humildade, mas não sairíamos daqui hoje.

E o que pode ou deve fazer alguém que vê o seu trabalho copiado na casa do vizinho? Eu não tenho a resposta certa, sei que tentei fazer aquilo que achava ser o mais correcto, sem até hoje saber se o foi mesmo (já que frutos não deu). Sem grandes confusões e sem, como costumamos dizer, lavar roupa suja em praça pública, decidi enviar uma mensagem por facebook à autora da asneira já que ela até minha amiga nesta rede escolheu ser.
Falei sobre o assunto, fui o mais bem educada que consegui ser, fui humilde e disse estar muito triste com a situação que achava até desnecessária.
A resposta que tive não poderia ter sido mais desinteressada. Claro que a pessoa em questão já conhecia o meu trabalho mas existe muita coisa semelhante, e mais, cada um tem a "identidade" do próprio autor. Bem vistas as coisas ela não é uma cópia, é uma autora. Eu acho que é uma autora da cópia, mas isto sou eu que estou só muito irritada com estas coisas.

E o quê que se copia aqui?
Copiam-se idéias, vamos lá meter padrões de azulejos em cadernos. Poderíamos metê-los numas chávenas de café mas não, vamos fazer mesmo cadernos.
Copiam-se formatos, porque se a concorrência tem 3 vamos lá fazer também o A5, o A6 e o A7.
Copiam-se métodos de trabalho, mas aí a culpa só pode ser das parvas que puseram o vídeo bonito na internet.
E, mais tarde ainda, copiam-se padrões. Já que é tudo tão parecido não faz grande diferença se os padrões forem os mesmos.




O que está aqui em causa?
A falta de profissionalismo de uma colega.
Se é designer de formação deveria perceber que isto não se faz, deveria saber o que é inspiração e o que é apropriação. Deveria distinguir tanta coisa que pelos vistos não lhe foi ensinada quando estava a tirar o curso, e isto é triste.

Há quase 3 anos atrás, quando o beija-flor começou nas nossas mãos, tivemos como base um projeto universitário que levou algumas semanas a ganhar forma. Acabou por ser uma saída, uns anos mais tarde, quando foi preciso fazer qualquer coisa fora do trabalho. Ainda assim, foram várias as noites de trabalho que tivemos em 2011, a experimentar várias formas de os costurar, a perceber que técnicas usar para que eles ficassem assim com este aspecto bonito e simples que têm.
Não, não fomos ver nada destas coisas à internet e podemos dizer que assim foi muito mais divertido, pelo menos quando a coisa correu bem e conseguimos finalmente chegar a um caderno perfeito. Estávamos as duas sentadas numa mesa de cozinha, depois de um dia de 8 horas de trabalho, a tentar chegar a um resultado que nos deixasse satisfeitas. Cosemos vários cadernos, cortamos outros tantos, fizemos imensas experiências com os tamanhos dos padrões e outras tantas com o papel que escolhemos para as impressões. Chegámos a um resultado nosso.




É por isto tudo que acabei de descrever que sinto vergonha do que vejo aqui e desta colega de trabalho que não teve humildade suficiente para perceber que estava a cometer um erro, e até hoje continua a fazer este trabalho que na minha opinião é só uma grande asneira.

Posso dizer-vos que hoje, depois de ter recebido uma mensagem de um colega de trabalho, também ele concorrência mas da boa, nem consegui engolir o pequeno almoço antes de escrever este post. Não é a primeira pessoa que nos escreve a falar desta "cópia" e não poderia ser eu a única a não falar dela.
Não sei se escrever tudo isto foi o mais correcto mas estou mais leve e saiu tudo cá para fora. Um grande obrigada ao meu blog que não me deixa andar aqui entalada toda a vida.